terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filemon, Igreja Primitiva, dinheiro... e nós

Escrevo quase imediatamente após o Júlio para não perder o embalo e as ideias.

Seguindo o raciocínio do Júlio, e acrescentando aquilo que disse anteriormente, é minha vez de perguntar: Por que nos escritos neotestamentários o dízimo é praticamente ausente? Por que, quando se fala em dinheiro, é no contexto de ofertas específicas para fins específicos e não como uma contribuição periódica?

A resposta se encontra, se não na totalidade, pelo menos em grande parte pela estrutura da Igreja Primitiva. Como ela existia a partir da estrutura da casa greco-romana, ela não precisa de quase nada para sua existência. Os pastores/presbíteros viviam de sua profissão. Não havia templo para ser custeado e nem funcionários para serem pagos. Os pobres eram cuidados por suas famílias.

As situações que exigiam ações financeiras específicas eram determinadas missões apostólicas ou missionárias, pobres sem famílias, ou pobres de outras igrejas como a de Jerusalém ajudada pelos crentes gentios. Talvez esqueça alguma coisa, mas nada muito além disso.

Interessante. Como a igreja dos primórdios cresceu mesmo pobre e sem dinheiro. E nós...

Concordo totalmente com o Júlio. E nós, protestantes históricos, não fiquemos apontando o dedo para práticas neopentecostais. Nós vivemos e nos estruturamos em torno do dinheiro.

Uma igreja, para ser organizada, precisa ter recursos, e isso significa, acima de tudo, ter condição para pagar seu pastor, pagar aluguel para ele, manter o templo etc. Observem que nenhum desses tópicos foi central para a Igreja Primitiva.

Gastamos muito do nosso tempo e dinheiro preocupados com reformar/construir/pintar nossos templos.

E o que é pior, muitas igrejas possuem investimentos para tempos piores. Não sei se há nada pior do que isso!!!

Sim, há algo pior do que isso. Uma igreja com dinheiro investido em aplicações convivendo, ao mesmo tempo, com pobres em seu meio que quase não tem dinheiro para comer, para vestir os filhos, para educá-los dignamente, para oferecer-lhes condições mínimas de saúde. Sem falar em lazer.

Parece que os ricos de nossos igrejas assim como seus presbíteros não se preocupam com isso. A preocupação é ver quanto foi arrecado no mês passado. Se a receita aumentou ou não e outras coisas irritantes.

Paro por aqui. O Júlio é o responsável por este desabafo. Mas é difícil viver com um igreja que se secularizou tanto e ao mesmo tempo radicaliza cada vez mais seu discurso conservador.

Que Deus nos ajude!

5 comentários:

  1. Assino embaixo e compartilho seu desabafo.

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  2. Kharis kai eirene

    Não apenas anunciação, mas também denúncia. Essa breve frase resume seu artigo.
    "Estive com um missionário recentemente quando ouvi dele que a igreja que o mantinha deixara de pagar o seu salário, que não era muito, para pagar as prestações do ar condicionado central da igreja."

    Eis ai a prioridade de nossas oligarquias evangélicas!

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  3. Esdras,

    Nada a acrescentar, senão que o testemunho que você prestou se repete ao infinito pelo Brasil afora.

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  4. Joabe,

    Obrigado pela visita. Espero que retorne mais vezes. Visitei teu blog. Muito legal. Bem interessante o vídeo sobre por que as pessoas não vão à igreja.

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